← Blog · 12 de junho de 2026

Registos de temperatura HACCP: o que a ASAE pede mesmo

Se tens um restaurante, já sabes que tens de controlar as temperaturas do frio. O que quase ninguém te explica é o que isso significa na prática: quantas vezes medir, onde apontar, quanto tempo guardar, e o que acontece quando a inspeção pede os registos e tu tens três semanas em branco.

Este guia é a versão curta e honesta, escrita a partir do que vivemos numa pizzaria a sério em Lisboa.

O que a lei pede (em português corrente)

A lei europeia (Regulamento CE 852/2004) obriga qualquer negócio de comida a ter procedimentos baseados nos princípios HACCP. Para o frio, isso traduz-se em três coisas:

  1. Limites definidos: cada equipamento de frio tem uma temperatura máxima aceitável. Na prática corrente: frigoríficos de conservação até 4 ou 5 °C, arcas de congelados a -18 °C ou menos.
  2. Verificação regular: medir e registar as temperaturas com uma frequência definida por ti no teu plano. O padrão mais comum é duas vezes por dia, na abertura e no fecho.
  3. Ações corretivas registadas: quando um valor sai do limite, tens de registar o que fizeste (ajustar o termostato, mudar o produto de equipamento, descartar). Um registo fora do limite sem ação corretiva ao lado é pior do que parece: mostra que viste o problema e não fizeste nada.

O que a inspeção pede quando entra

Quem já passou por uma inspeção conhece a sequência. Pedem o plano HACCP, e logo a seguir: "mostre-me os registos de temperatura dos últimos meses."

É aqui que o caderno falha. Não porque o papel seja proibido, não é. Falha porque:

Qualquer um destes cenários transforma uma inspeção de rotina num processo com prazos, respostas por escrito e possível coima.

Quanto tempo guardar

Não há um prazo único na lei para todos os registos, mas a prática aceite no setor é guardar pelo menos o suficiente para cobrir o período entre inspeções: na prática, um a dois anos. Com papel, isso significa arquivar dezenas de folhas sem perder nenhuma. Com registo digital, significa não fazer nada: está lá tudo.

Como montar um registo que aguenta a inspeção

A diferença que vimos na prática

Na pizzaria onde a Orlina nasceu, o controlo de temperaturas era uma folha plastificada na porta da câmara. Resultado típico de fim de mês: 40 medições esperadas, 23 registadas. Ninguém era preguiçoso. O papel é que não avisa ninguém quando fica em branco.

Com o registo no telemóvel, a tarefa aparece sozinha na abertura e no fecho, pede o valor, grita se estiver fora do limite, guarda a hora e quem registou. No fim do mês, o relatório sai em PDF com tudo: pronto a entregar a quem o pedir.

Se o teu registo de temperaturas ainda vive num caderno, o melhor momento para mudar foi antes da última inspeção. O segundo melhor é hoje.

Sai do papel esta semana.

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